A Felicidade de Deus: Fundamento Para o Hedonismo Cristão.
Jeremias 32:36-41
Agora, pois, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca desta cidade, da qual vós dizeis: Já está entregue nas mãos do rei da Babilônia, pela espada, pela fome e pela peste. 37 Eis que eu os congregarei de todas as terras, para onde os lancei na minha ira, no meu furor e na minha grande indignação; tornarei a trazê-los a este lugar e farei que nele habitem seguramente. 38 Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. 39 Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem de seus filhos. 40 Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim. 41 Alegrar-me-ei por causa deles e lhes farei bem; plantá-los-ei firmemente nesta terra, de todo o meu coração e de toda a minha alma.
Certa vez, fiz referência à idéia de Hedonismo Cristão num culto de domingo e um pai veio até mim mais tarde e disse: “Você sabia que uma menininha pensou que você estava dizendo “Heathenism” Cristão? [NT: “heathenism”, palavra com pronúncia em inglês similar à “hedonism”, hedonismo, que deriva de “heathen”, pessoa não religiosa, aquele que desconhece a Bíblia ou Deus]. Eu sei que mesmo que eu faça uma pronúncia clara (Hedonismo Cristão), alguns de vocês provavelmente ainda pensarão em “heathenism” [impiedade], porque acreditam que o hedonismo é uma filosofia de vida do descrente. E vocês estão, provavelmente, certos porque o significado popular de hedonismo é a busca pelo prazer e indiferença moral. Em 2 Timóteo 3:4 Paulo advertiu que nos últimos dias os homens seriam “mais amigos dos prazeres que amigos de Deus”. Certamente, estamos nestes dias.
Impiedade Cristã?
Dois anos atrás, Daniel Yankelovitch publicou um livro entitulado New Rules: Searching for Self-Fulfillment in a World Turned Upside Down (Novas Regras: Buscando Auto Realização num Mundo Virado de Cabeça para Baixo). Ele argumenta com base em amplas entrevistas e pesquisas nacionais que grandes mudanças têm ocorrido em nossa cultura e que a busca comum por auto-realização pessoal criou um novo conjunto de regras que governa o modo como pensamos e sentimos enquanto americanos. Ele diz, “Eu sua forma extrema, as novas regras simplesmente viraram as antigas de pernas para o ar e no lugar da antiga ética da autonegação, encontramos pessoas que não aceitam negar nada a si mesmas – não por conta de apetites sem fundamento, mas com base no estranho princípio moral de que “Eu tenho uma obrigação para comigo mesmo” (p. xviii). Ele conta de uma jovem na casa dos trinta anos que reclamou para seu psicoterapeuta que ela estava se tornando nervosa e irritadiça porque sua vida havia se tornado tão agitada – muitos finais de semana longos, muitas boates, muitas horas extras, muita conversa, muito vinho, muita maconha, muito sexo. “Por que você não pára?” perguntou o terapeuta suavemente. A paciente fixou um olhar sem expressão por alguns momentos e então seu rosto acendeu, maravilhada com uma iluminação: “Você quer dizer que eu não preciso fazer o que eu quero fazer?” ela extravasou em maravilhamento. A marca registrada dos buscadores da auto realização é que “eles operam sob a premissa de que desejos emocionais são objetos sagrados e que é um crime contra a natureza manter uma necessidade emocional não satisfeita” (p. 59). “A nossa é a primeira era onde milhares de milhões de pessoas oferecem como justificativas morais para seus atos a idéia de que um eu, supostamente mais profundo e ‘real’, não se encaixa bem com o papel social que lhe foi atribuído”.
Provavelmente, o relacionamento entre os buscadores de auto-realização e suas novas regras é a causa do grande caos no casamento. Yankelovitch mostra boa visão quando diz, “Casamentos bem sucedidos são construídos com muitas fibras de desejos inibidos – concessões aos desejos do outro; aceitação da violação de seus próprios desejos; decepções engolidas; confrontações evitadas; desvios de oportunidades para a raiva; chances para a auto-expressão emudecidas. Introduzir formas pesadas de auto-realização neste processo é o mesmo que tocar uma delicada teia de aranha com um cabo de vassoura. Freqüentemente, a única coisa que sobra é aquele negócio grudento na vassoura; a estrutura da teia é destruída” (p. 76).
Portanto, eu tenho grande empatia com aqueles que são livres o suficiente de nossa cultura para reagir contra a palavra hedonismo ao dizer, “Chega disso! Nossos lares, nossas escolas, nossos negócios, nossa sociedade estão sendo destruídos por buscadores hedonistas de auto-realização que não possuem nenhuma coragem moral ou autonegação ou compromisso firme ou parceria sacrificial, que mantém de pé as preciosas estruturas da vida que trazem nobreza à nossa cultura. Não precisamos de hedonismo; precisamos de um retorno à retidão, integridade, prudência, justiça, temperança, firmeza e autocontrole!” Acredite, estamos mais próximos do que se imagina. Tudo o que peço é que você me dê ouvidos abertos e discernidores por nove semanas, antes que você faça seu julgamento final sobre Hedonismo Cristão.
Exemplos Bíblicos de Hedonismo Cristão
Algumas vezes, uma ilustração vale mais que as mil palavras de uma definição abstrata. Então, ao invés de lhe dar uma definição precisa de Hedonismo Cristão, deixe-me começar oferecendo alguns exemplos bíblicos disso. Davi aconselha o Hedonismo Cristão quando ele ordena, “Deleita-te também no SENHOR, e te concederá os desejos do teu coração” (Salmo 37:4, ACRF). E ele demonstra a essência do Hedonismo Cristão quando ele clama, “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?” (Salmo 42:1-2). Moisés era um Hedonista Cristão (de acordo com Hebreus 11:24-27) porque ele rejeitou os “prazeres transitórios” do pecado, mas “considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão”. Os santos em Hebreus 10:34 eram Hedonistas Cristãos porque eles escolheram arriscar suas vidas ao visitar prisioneiros cristãos e aceitaram alegremente a confiscação de suas propriedades, uma vez que sabiam que eles mesmos possuíam algo melhor e permanente. O apóstolo Paulo recomendou o Hedonismo Cristão quando ele disse em Romanos 12:8, “quem exerce misericórdia, com alegria”. E Jesus Cristo, o pioneiro e aperfeiçoador de nossa fé, estabeleceu o melhor padrão de Hedonismo Cristão porque Seu deleite estava “no temor do SENHOR” (Isaías 11:3), e pela alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz a despeito da vergonha e agora está assentado à destra do trono de Deus (Hebreus 12:2).
O Hedonismo Cristão ensina que o desejo de ser feliz é dado por Deus e, portanto, não deve ser negado ou resistido, mas direcionado a Deus para sua satisfação. O Hedonismo Cristão não prega que qualquer coisa que você desejar será bom. Pelo contrário, que Deus lhe mostrou o que é bom e que está operando para lhe trazer alegria (Miquéias 6:8). E, uma vez que fazer a vontade de Deus lhe trará alegria, a busca da felicidade é uma parte essencial de todo esforço moral. Se você abandonar a busca por alegria (e assim se recusar a ser um hedonista, como uso o termo), você não poderá realizar a vontade de Deus. O Hedonismo Cristão afirma que os santos mais piedosos de cada era não descobriram qualquer contradição ao dizer, por um lado, “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Filipenses 4:4). O Hedonismo Cristão não une a cultura da auto-gratificação que torna você um escravo de seus impulsos pecaminosos. O Hedonismo Cristão exige que não nos conformemos com este mundo, mas que sejamos transformados pela renovação de nossas mentes (Romanos 12:2), para que possamos desfrutar de fazer a vontade de nosso Pai Celestial. De acordo com o Hedonismo Cristão, alegria em Deus não é cereja opcional sobre o sorvete do cristianismo. Se você parar para pensar, verá que a alegria em Deus é uma parte essencial da fé salvadora.
Hoje, quero desvendar o fundamento do Hedonismo Cristão: a felicidade de Deus. Tentarei apoiar três observações das Escrituras: 1) Deus é feliz porque Ele Se deleita em Si mesmo. 2) Deus é feliz porque Ele é soberano. 3) A felicidade de Deus é o fundamento do Hedonismo Cristão porque ela transborda misericórdia sobre nós.
Deus Se Deleita Em Si Mesmo
Primeiro, Deus é feliz porque Ele Se deleita em Si mesmo. Deus seria injusto se Ele valorizasse qualquer coisa além daquilo que tem valor supremo. E Ele tem valor supremo. Se Ele não tivesse deleite infinito em Sua própria glória, Ele seria injusto porque o correto é deleitar-se numa pessoa em proporção à excelência de sua glória. As Escrituras estão saturadas de textos mostrando o quão inabalavelmente Deus age com base no amor por Sua própria glória. “Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem” (Isaías 48:11).
A mesma coisa acontece quando ponderamos o relacionamento de Deus Pai com Deus Filho. Existe um mistério aqui além da compreensão humana. E admito que nossos esforços teológicos para descrever a auto-consciência de Deus e seu relacionamento com a Trindade são como o balbuciar de uma criancinha sobre seu pai. Mas, mesmo da boca dos bebezinhos sai sabedoria se seguirmos as Escrituras. A Bíblia ensina que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é Deus (João 1:1). Em Hebreus 1:3 lemos que Ele “é o resplendor da glória e a expressão exata de seu Ser”. Em 2 Coríntios 4:4 ouvimos da glória de Cristo que é a imagem de Deus. Aprendemos destas passagens que por toda a eternidade Deus Pai contemplou a imagem de Sua própria glória perfeitamente representada na pessoa de Seu Filho. Portanto, uma das melhores maneiras de pensar sobre a imensa felicidade de Deus em Sua própria glória é pensar nela como um deleite que Ele tem em Seu Filho, que é a imagem daquela glória. Quando Jesus entrou neste mundo, Deus Pai disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3:17). Quando Deus Pai contempla a glória de Sua própria essência na pessoa de Seu Filho, Ele fica infinitamente feliz. “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz” (Isaías 42:1). Então, a primeira observação é que Deus está feliz porque Ele Se deleita em Si mesmo, especialmente por Sua natureza ser refletida em Seu Filho amado.
Deus é Soberano
Segundo, Deus é feliz porque Ele é soberano. O Salmo 115:3 diz: “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada”. O que este verso implica é que a soberania de Deus é Seu direito e Seu poder para fazer o que O deixa feliz. Nosso Deus está no céu – Ele é sobre todos e todas as coisas Lhe estão sujeitas. Portanto, Ele faz aquilo que Lhe agrada – Ele sempre age para preservar Sua máxima felicidade. Deus é feliz porque Suas justas obras, que sempre são realizadas a partir de Seu amor por Sua própria glória, nunca podem ser frustradas além de Sua vontade. Isaías 43:13: “Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” Isaías 46:10: “o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”. Daniel 4:35: “segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?”. Podemos estar certos, portanto, que Deus é infinitamente feliz porque Ele tem absolutos direito e poder como Criador para superar qualquer obstáculo à sua alegria.
Vale perguntar, como um parêntese, como Deus pode ser feliz quando o mundo todo é afligido com sofrimento e maldade. Esta é uma grande e difícil pergunta. Duas coisas me ajudam. Uma é que não adianta muito proteger a reputação de Deus ao dizer que Ele não está realmente no controle. Se alguém tentasse me consolar em dezembro de 1974, quando minha mãe foi morta num acidente de ônibus, ao dizer: “Deus não queria que isso acontecesse; você ainda pode confiar Nele, Ele é bom”, eu teria respondido assim: “Meu consolo não vem de pensar que Deus é tão fraco que Ele não pode desviar uma tora que cai de cima de uma Kombi”. Meu Deus é soberano. Ele a levou em Seu tempo determinado; e eu creio agora e algum dia verei que isso foi bom. Pois tenho aprendido em Jesus Cristo que Deus é bom. A solução bíblica para o problema do mal não é roubar a Deus de Sua soberania.
A outra observação que me ajuda com esta questão é que a atitude de Deus diante de eventos trágicos depende do foco da lente. Deus não tem deleite na dor e no mal considerados somente em si mesmos. Quando Sua lente é estreita e está focada somente naquilo, Ele fica cheio de aborrecimento e dor. Mas quando Sua lente se abre e Ele leva em consideração todas as conexões e efeitos de um evento, inclusive a eternidade, aquele evento toma parte de um padrão ou mosaico no qual Ele se deleita e o qual Ele deseja. Por exemplo, a morte de Cristo foi obra de Deus Pai. “nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido… ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Isaías 53:4, 10). Ainda assim, certamente Deus Pai viu a agonia de Seu Filho amado e a impiedade que Lhe trouxe sobre a cruz e Ele não Se deleitou nestas coisas em si mesmas. O pecado em si e o sofrimento de inocentes em si são abomináveis para Deus. Mas, de acordo com Hebreus 2:10, convinha a Deus Pai aperfeiçoar o Pioneiro de nossa salvação através do sofrimento. Deus quis o que Ele aborreceu na visão estreita porque, na visão ampla, à luz da eternidade, foi a forma apropriada de mostrar Sua justiça (Romanos 3:25 em diante) e trazer Seu povo para a glória (Hebreus 2:10). Quando Deus em Sua onisciência analisa a história da redenção do princípio ao fim, Ele se alegra com o que vê. Portanto, eu concluo que nada em todo este mundo pode frustrar a felicidade última de Deus. Ele Se deleita infinitamente em Sua própria glória; e em Sua soberania Ele faz aquilo que Lhe apraz.
A Felicidade de Deus Transborda Misericórdia Sobre Nós
O que nos trás para uma observação final: a felicidade de Deus é o fundamento do Hedonismo Cristão porque Sua felicidade transborda misericórdia sobre nós. Você pode imaginar como seria se Deus, que governa o mundo, seria se Ele não fosse feliz? E se Deus fosse dado a resmungos e caretas e depressão como um gigante de “João e o Pé de Feijão” no céu? E se Deus fosse amuado e sombrio e tedioso e descontente e derrotado e frustrado? Poderíamos nos unir a Davi e dizer: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (Salmo 63:1). De jeito nenhum! Todos nos relacionaríamos com Deus como criancinhas que tem um pai tedioso, descontente e frustrado. Elas não podem ter prazer nele. Elas podem apenas tentar evitá-lo e, talvez, fazer alguma coisa para ajudá-lo a se sentir melhor. Portanto, o fundamento do Hedonismo Cristão é ser feliz em Deus, é deleitar-se em Deus, é valorizar e aproveitar da comunhão com Deus. Mas, crianças não podem aproveitar a companhia de seu pai se ele for sombrio e tedioso e frustrado. Então, a base do Hedonismo Cristão é que Deus é o mais feliz de todos os seres.
Eis outra forma de dizer isso. Para que um pecador busque alegria em Deus, ele deve estar confiante de que Deus não irá excluí-lo quando vier em busca de perdão e comunhão. Como podemos ser encorajados de que Deus nos tratará com misericórdia quando nos arrependermos de nossos pecados e viermos buscar alegria Nele? Considere este encorajamento de Jeremias 9:24, “eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR”. Deus mostra misericórdia porque Ele tem prazer nisso. Deus não é constrangido a salvar por algum princípio formal ou regra. Ele é tão cheio de vida e alegria em Sua própria glória que o clímax de Seu prazer é transbordar em misericórdia sobre nós. A base de nossa confiança é a misericórdia de Deus e que Ele é um perfeito Hedonista Cristão. Ele Se deleita sobre todas as coisas em Sua divina excelência e Sua felicidade é tão completa que Ele expressa a Si mesmo no prazer que Ele tem de compartilhá-la com outros.
Ouça o bater do coração de um perfeito Hedonista celestial em Jeremias 32:40-41. Por que Deus faz o bem? De que forma Ele lhe ama? Ouça:
Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim. 41 Alegrar-me-ei por causa deles e lhes farei bem; plantá-los-ei firmemente nesta terra, de todo o meu coração e de toda a minha alma.
Deus faz o bem a você porque ele ama muito fazer isso! Ele insiste no ato de amar você com todo o Seu coração e com toda a Sua alma. A felicidade de Deus transbordando em amor alegre é o fundamento e o exemplo de Hedonismo Cristão.
Eu fecho com um convite. Estas promessas preciosas e impressionantes não pertencem a todos. Existe uma condição. Não é uma condição de trabalho ou pagamento. Um Soberano infinitamente feliz não precisa de seu trabalho e já possui todos os recursos. A condição é que você se torne um Hedonista Cristão – que você pare de tentar pagar ou trabalhar para Ele ou de fugir Dele e, ao invés disso, comece a buscar com todo o seu coração a alegria incomparável da comunhão com o Deus Vivo.
Não faz caso da força do cavalo, nem se compraz nos músculos do guerreiro. 11 Agrada-se o SENHOR dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia. (Salmo 147:10-11)
A condição para herdar todas as promessas de Deus é que toda a esperança por felicidade que você tem posto sobre você, sua família, seu emprego e seu lazer seja transferida para Ele. “Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração” (Salmo 37:4).
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Seis Afirmações Com Respeito à Teologia do Sofrimento.
Eu gostaria que todos que têm uma Bíblia abrissem comigo em Romanos 8: 18-28. Há seis afirmações que resumem minha teologia sobre doenças e ao menos a semente para cada uma dessas afirmações está aqui. Vamos ler o texto:
Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada. A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados. Pois ela foi submetida à inutilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra, recebendo a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. Pois nessa esperança fomos salvos. Mas, esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo? Mas se esperamos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente.
Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.
Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
1. Toda a Criação Foi Submetida à Inutilidade
Minha primeira afirmação é essa: a era em que nós vivemos, que vai da queda do homem ao pecado até a segunda vinda de Cristo, é uma era na qual a criação, incluindo nossos corpos, foi “submetida à inutilidade” e “escravizada na decadência”. Versículo 20: a criação foi submetida à inutilidade. Versículo 21: a criação será libertada da escravidão da decadência. E o porquê nós sabemos que isso inclui os nossos corpos é dado no versículo 23: Não apenas o restante da criação, mas nós mesmos (cristãos) gememos interiormente esperando nossa adoção como filhos, a redenção dos nossos corpos. Nossos corpos são parte da criação e participam em toda a futilidade e corrupção às quais a criação foi submetida.
Quem é esse no versículo 20 que submeteu a criação à inutilidade e a escravizou na decadência? É Deus. Os únicos outros possíveis candidatos a se considerar seriam Satanás ou o próprio homem. Talvez Paulo pensou em Satanás, ao trazer o homem ao pecado, ou no homem, ao escolher desobedecer a Deus – talvez um deles é a quem se refere como aquele que sujeitou a criação à futilidade. Mas a referência não pode ser a Satanás nem ao homem por causa das palavras “na esperança” no fim do versículo 20. Essa pequena frase, “na esperança”, nos dá o propósito daquele que submeteu a criação à futilidade. Mas não era a intenção do homem e nem de Satanás trazer a decadência ao mundo de modo que a esperança da redenção fosse acesa no coração do homem e que um dia a “gloriosa liberdade dos filhos de Deus” brilhasse mais reluzentemente. Apenas uma pessoa poderia submeter a criação à futilidade com esse propósito, a saber, o justo e amoroso criador.
Portanto, eu concluo que este mundo encontra-se sob a sentença judicial de Deus sobre uma humanidade rebelde e pecadora – uma sentença de decadência e futilidade universal. E ninguém está excluído, nem mesmo os preciosos filhos de Deus.
Provavelmente a futilidade e corrupção da qual Paulo fala refere-se à ruína física e espiritual. Por um lado o homem em sua condição caída está escravizado a uma percepção defeituosa, objetivos errados, comportamentos tolos e insensibilidade espiritual. Por outro lado há enchentes, fome, vulcões, terremotos, ondas gigantes, pragas, picadas de cobra, acidentes de carro, quedas de avião, asma, alergias, gripe e câncer, todos despedaçando e destruindo o corpo humano com dor e trazendo o homem – todos os homens – ao pó.
Enquanto estivermos no corpo seremos escravos da decadência. Paulo disse essa mesma coisa em outro lugar. Em 2 Coríntios 4:16 ele disse: “Não desanimamos. Embora exteriormente (o corpo) estejamos a desgastar-nos (decaídos) interiormente estamos sendo renovados dia após dia.” A palavra que Paulo usa para desgaste aqui é a mesma usada em Lucas 12:33 quando Jesus disse: Cuidem-se para que seu tesouro esteja nos céus “onde ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói.” Assim como uma roupa em um armário quente e escuro será comida e destruída pelas traças, assim nossos corpos nesse mundo caído serão destruídos de uma maneira ou de outra. Pois toda a criação foi submetida à futilidade e escravizada na decadência enquanto durar esta era. Essa é minha primeira afirmação.
2. Haverá um Tempo de Libertação e Redenção
Minha segunda afirmação é esta: Chegará um tempo quando todos os filhos de Deus, que resistiram até o fim na fé, serão libertos de toda futilidade e corrupção, espitualmente e fisicamente. De acordo com o versículo 21, a esperança na qual Deus sujeitou a criação era de que um dia “a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra, recebendo a gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. E o vers[iculo 23 diz que “nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo”. Não aconteceu ainda. Nós aguardamos. Mas acontecerá. “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. (...) ele transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao seu corpo glorioso.” (Filipenses 3:20-21). “...num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados”(1 Coríntios 15:52). “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.” (Apocalipse 21:4).
Chegará o dia em que cada muleta será esculpida e cada cadeira de rodas fundida como medalhões de redenção. E Merlin e Reuben e Jim e Hazel e Ruth e todos os outros entre nós entrarão felizes e saltitantes no Reino dos Céus. Mas não ainda. Não ainda. Nós gememos, esperando pela redenção de nossos corpos. Mas o dia chegará e essa é minha segunda afirmação.
3. Cristo Conquistou, Demonstrou e Nos Deu um Antegosto Dela
O terceiro ponto é que Jesus Cristo veio e morreu para conquistar nossa redenção, para demonstrar o caráter dessa redenção espiritual e física, e para nos dar um antegosto dessa redenção. Ele conquistou nossa redenção, demostrou seu caráter e nos deu um antegosto dela. Por favor preste atenção, pois essa é uma verdade gravemente distorcida por muitos curandeiros de nossos dias.
O profeta Isaías predisse o trabalho de Cristo da seguinte forma em 53:5-6 (um texto que Pedro aplicou a Cristãos em 1 Pedro 2:24):
Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.
A bênção do perdão e a bênção da cura física foram conquistadas por Cristo quando ele morreu por nós na cruz. E todos aqueles que dão suas vidas a ele terão esses benefícios. Mas quando? Essa é a questão presente. Quando seremos curados? Quando nossos corpos não serão mais escravos da decadência?
O ministério de Jesus foi um ministério de cura e perdão. Ele disse aos discípulos de João Batista: “Vão e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos vêm, os aleijados andam, os que têm lepra são curados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres; e abençoado é aquele que não se sente ofendido por mim.” (Mateus 11:4-6).1 Ofensa? Por que alguém se sentiria ofendido por outro que ressuscita os mortos e introduz o reino por tanto tempo esperado? Fácil – ele rescuscitou apenas umas três pessoas. Ele deixou centenas nos túmulos ao redor dele. Por quê? Porque nem todos tinham fé? Oh não! Quando Jesus ressuscitou o filho da viúva em Lucas 7:13-14, ela não o conhecia. Não foi por causa de sua fé. Apenas é dito: “Ele teve compaixão dela.” E então? Ele não se compadecia de todos os outros consternados em Israel?
A resposta do por que Jesus não ressuscitou todos os mortos é que, contrário às expectativas dos judeus, a primeira vinda do Messias não era a consumação e completa redenção desta era caída. A primeira vinda foi, na verdade, para conquistar essa consumação, ilustrar seu caráter e trazer um antegosto dela para seu povo. Logo, Jesus ressuscitou alguns dos mortos para ilustrar que ele tem esse poder e um dia virá novamente e o exercerá para todo seu povo. E ele curou os doentes para ilustrar que assim será em seu reino final. Não haverá mais choro ou dor.
Mas nós temos um antegosto da nossa redenção agora nesta era. Os benefícios conquistados na cruz podem ser usufruídos de certa maneira mesmo agora, incluindo cura. Deus pode curar e cura os doentes agora em resposta às nossas orações. Mas não sempre. As pessoas dos nossos dias que são obsecadas por milagres dos nossos dias, que garantem que Jesus quer você bem agora e empilham culpa sobre culpa nas costas do povo de Deus afirmando que a única coisa entre eles e a cura é a falta de fé, têm falhado em entender a natureza dos propósitos de Deus nesta era caída. Eles têm minimizado a profundidade do pecado e a crucialidade da disciplina purificadora de Deus e o valor da fé através do sofrimento. Eles são culpados por tentar forçar nesta era o que Deus reservou para a próxima.
Note a sequência de pensamento em Romanos 8:23-24: “Nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo. Pois nessa esperança fomos salvos.” Porque Cristo conquistou a redenção, os crente já receberam o Espírito Santo. Isso é como um pagamento antecipado da nossa completa redenção, mas é apenas os primeiros frutos, um antegosto. E quando Paulo enfatiza que nós, mesmo nós, que temos o Espírito gememos esperando a redenção dos nossos corpos, você pode dizer que ele está alertando contra a falsa inferência de que porque nós fomos salvos, logo nosso gemido em corpos decaídos acabou. Então, ele continua no versículo 24, “Pois nessa esperança fomos salvos.” Nossa salvação não está concluída, está apenas iniciada. Nós somos salvos apenas em esperança. Isso é verdade moralmente; Paulo diz em Gálatas 5:5, “Pois é mediante o Espírito que nós aguardamos pela fé a justiça, que é a nossa esperança.” E é verdade fisicamente; Nós esperamos a redenção dos nossos corpos. Cristo conquistou essa redenção e demosntrou sua realidade física em seu ministério de cura e tem nos dado um antegosto dela curando muitas pessoas em nossos dias, mas algumas bem devagar, outras apenas parcialmente, e outras não curando. Essa é minha terceira afirmação.
4. Deus Controla Todo Sofrimento Para o Bem de Seu Povo
O quarto ponto é que Deus tem o controle de quem fica doente e quem fica bem, e todas as suas decisões são para o bem de seus filhos, mesmo se elas forem muito dolorosas e duradouras. Foi Deus quem sujeitou a criação à futilidade e corrupção, e é ele quem pode libertá-la. Em Exôdus 4:11, quando Moisés recusou ir falar com o Faraó, Deus disse a ele, “Quem deu boca ao homem? Quem o fez surdo ou mudo? Quem lhe concede vista ou torna cego? Não sou eu, o Senhor?” Por trás de toda doença está finalmente a mão soberana de Deus. Deus fala em Deuteronômio 32:39, “Vejam agora que eu sou o único, eu mesmo. Não há Deus além de mim. Faço morrer e faço viver, feri e curarei, e ninguém é capaz de livrar-se da minha mão.”
Mas e Satanás? Não é ele o grande inimigo da nossa integridade? Ele náo nos ataca moralmente e fisicamente? Não foi Satanás que tormentou Jó? Sim, foi. Mas Satanás não tem nenhum poder além daquele que é dado por Deus a ele. Ele é um inimigo acorrentado. De fato, para o escritor do livro de Jó não estava errado dizer que as feridas afligidas por Satanás foram enviadas por Deus. Por exemplo, em Jó 2:7 nós lemos, “Saiu, pois, Satanás da presença do Senhor e afligiu Jó com feridas terríveis, da sola dos pés ao alto da cabeça.” Depois quando sua mulher o diz para amaldiçoar Deus e morrer, Jó diz “Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?” E se pensarmos que Jó errou ao atribuir a Deus suas feridas afligidas por Satanás, o autor acrescenta no versículo 10, “Em tudo isso Jó não pecou com seus lábios.” Em outras palavras, não é pecado reconhecer a mão soberana de Deus mesmo por trás de uma doença da qual Satanás seja o causador mais imediato.
Satanás pode ser astuto mas em algumas coisas ele é burro, porque ele não vê que todas as suas tentativas de afligir os santos são simplesmente transformadas pela providência divina em ocasiões para purificação e fortalecimento da fé. O objetivo de Deus para seu povo nesta era não é primariamente livrá-los de donças e dor, mas lavar-nos de todo vestígio de pecado e fazer com que, em nossa fraqueza, apeguemo-nos a ele como nossa única esperança.
Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho... Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade. Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados. (Hebreus 12:5,6,10,11)
Toda aflição que vem aos filhos de Deus, através de perseguição ou doença, é pretendida por Deus para aumentar nossa santidade fazendo-nos confiar mais no Deus que ressuscita os mortos (2 Coríntios 1:9). Se tivermos raiva de Deus por nossas doenças estaremos rejeitando seu amor. Pois é sempre em amor que ele disciplina seus filhos. É para o nosso bem e nós devemos buscar aprender valiosas lições de fé através disso. Então diremos com o salmista, “Foi bom para mim ter sido castigado, para que aprendesse os teus decretos... Sei, Senhor, que as tuas ordenanças são justas, e que por tua fidelidade me castigaste” (Salmos 119:71, 75). Esta é minha quarta afirmação: Em última instância Deus controla quem fica doente e quem é curado e todas as suas decisões são para o bem de seus filhos, mesmo que a dor seja grande e a doença seja longa. Pois como diz o último versículo de nosso texto, Romanos 8:28, “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.”
5. Nós Deveríamos Orar Por um Poder que Cura e Uma Graça Que Sustenta
A quinta afirmação é que, portanto, deveríamos orar para Deus curar e para fortalecer nossa fé enquanto não formos curados. É aceitável que um filho peça ao pai por alívio durante um problema. E é aceitável que um Pai amoroso dê ao seu filho apenas o que for melhor. E é isso que ele sempre faz: às vezes curando agora, às vezes não. Mas sempre, sempre o que é melhor para nós.
Mas, às vezes, se é melhor para nós não sermos curados na hora, como sabermos o que orar? Como sabermos quando parar de pedir por cura e apenas pedir por graça para confiar em sua bondade? Paulo enfrentou esse mesmo problema em sua jornada. Vemos em 2 Coríntios 12:7-10 que Paulo, não diferente de Jó, recebeu um espinho na carne que ele chamou de “mensageiro de Satanás.” Não sabemos que tipo de dor ou doença era, mas ele diz que orou três vezes para ver-se livre dele. Mas então Deus lhe deu a certeza que apesar de não curá-lo, ainda sua graça seria suficiente e seu poder seria manifestado não na cura mas no fiel serviço de Paulo através do sofrimento.
Em nosso texto de Romanos 8:26-27 creio que Paulo trata da mesma questão: Enquanto aguardamos pela redenção dos nossos corpos “o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.” Às vezes tudo que podemos fazer é suplicar por ajuda porque não sabemos de que forma a ajuda virá. O Espírito de Deus pega nossas expressões falhas e incertas e as traz diante de Deus de uma forma que está de acordo com as intenções de Deus. E Deus responde graciosamente e supre nossas necessidades. Nem sempre como esperávamos a princípio, mas sempre para o nosso bem.
Então não nos orgulhemos e fiquemos distantes de Deus, estóicos, colhendo o que destino trouxer. Ao contrário, corramos ao nosso Pai em oração e súplicas em tempo de necessidade. Essa é minha quinta afirmação.
6. Devemos Sempre Confiar no Poder e Na Bondade de Deus
Finalmente, nós devemos sempre confiar no amor e poder de Deus, mesmo na hora mais escura do sofrimento. O que mais me angustia em relação àqueles que dizem que cristãos devem sempre ser milagrosamente curados é que eles dão a impressão de que a qualidade da fé só pode ser medida pelo acontecimento de um milagre de cura física, quando na maior parte do Novo Testamento você tem a impressão de que a qualidade da nossa fé é refletida na alegria e confiança que mantemos em Deus durante o sofrimento.
O grande capítulo de fé na Bíblia é Hebreus 11. Ele começa, “fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. O que, frequentemente, não se nota nesse capítulo, contudo, são os oito versículos finais onde nós temos a imagem balanceada da fé como aquela que espera em Deus pelo resgate do sofrimento, e aquela que espera em Deus por paz e esperança no sofrimento. Versículo 33-35a: “pela fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram o cumprimento de promessas, fecharam a boca de leõs, apagaram o poder do fogo e escaparam do fio da espada; da fraqueza tiraram força, tornaram-se poderosos na batalha e puseram em fuga exércitos estrangeiros. Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos.” Agora se nós parássemos de ler aqui nossa idéia de como a qualidade da fé é manifestada seria muito distorcida, porque aqui parece que a fé sempre vence nesta vida. Mas aqui ocorre uma virada e nós descobrimos que a fé também o poder para perdermos nossa vida: “Pela fé...uns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior; outros enfrentaram zombaria e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas. Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé.”
A glória de Deus é manifestada quando ele cura e quando ele dá um doce espírito de esperança e paz à pessoa que ele não cura, pois isso, também, é um milagre da graça! Oh, que sejamos um povo do qual Deus está frequentemente curando as doenças, mas está sempre enchendo de alegria e paz enquanto as doenças permanecem. Se formos um povo humilde, como crianças, que suplica a Deus na necessidade e confia em suas promessas, o Espírito Santo nos ajudará e Deus abençoará nossa igreja com todas as bênçãos possíveis. Ele agirá, como diz o texto, em todas as coisas para o nosso bem.
Essa é, resumidamente, a minha teologia da doença. Primeiro, nessa era toda a criação, incluindo nossos corpos, foram submetidos à inutilidade e escravizados na decadência. Segundo, aproxima-se uma nova era quando todos os que perseverarem na fé até o fim serão libertados de toda dor e doença. Terceiro, Jesus Cristo veio e morreu para conquistar nossa redenção, demostrar seu caráter físico e espiritual e nos dar um antegosto dela, agora. Quarto, Deus controla quem fica doente e quem fica bem, e todas as duas decisões são para o bem de seus filhos mesmo que sejam dolorosas. Quinto, nós deveríamos orar pela ajuda de Deus para nos curar e para fortalecer nossa fé enquanto não formos curados, e devemos depender da intercessão do Espírito Santo quando nós não sabemos o que orar. Finalmente, nós devemos sempre confiar no poder e amor de Deus, mesmo na hora mais escura do nosso sofrimento.
Oh, que sejamos uma assembléia de santos que ecoa, do fundo dos nossos corações, a fé de Joni Eareckson depois de uma longa luta com paralisia e depressão. Ela escreveu no fim de seu livro: “A garota que tornou-se emocionalmente perturbada, e hesitou a cada nova circunstância agora está crescida, uma mulher que aprendeu a confiar na soberania de Deus” (Joni, p. 190).
1 Todos os versículos desse texto, que não possuem referência, foram extraídos da versão bíblica NVI. Os versículos de Mateus 11:4-6 foram traduzidos diretamente da versão bíblica utilizada pelo autor no texto original.
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